quinta-feira, 24 de outubro de 2013


E lá vai, de novo, a menina que jurou a si mesmo negar todo convite, desviar olhares, evitar conversar e, pelo menos, tentar pensar em tudo, menos nele. E lá vai ela, aceita o convite na segunda tentativa com o melhor sorriso que ela tem, procura o olhar dele nas lembranças mais singelas, manda mensagem de boa noite mascarando um ‘ei, lembra-se de mim’ e passa o dia todo se lembrando dele em cada situação, momento, cheiro, comida, lugar, brincadeiras, piadinhas, música e planos. Por que ela e ele se completam e eles não sabem. Por que é nele que ela pensa quando ouve aquela música romântica, é pra ele que ela corre pra contar a piada mais ridícula e sem graça, por que sabe que ele achará sensacional e absurdamente engraçada. Existe uma certa cumplicidade com só eles sabem ter. Existem assuntos que ele só comenta com ela e ela, aliviada, só com ele.   Ela consegue ser ELA com ele. E ele tem coragem de assumir ELE pra ela. Porque ela não é ninguém mais nem menos do que ela mesma com ele e acha incrível essa liberdade. Ela conhece ele como ninguém! Sabe dos seus pensamentos, dos seus gostos, de tudo. Até que ele sabe que ela sabe disso, mas é cabeça dura demais pra assumir que gosta muito de tudo isso, que queria pegar ela no colo e passar anos abraçado com ela sentindo seu cheiro. Não, ele é machão demais pra isso.

ab.

Nenhum comentário:

Postar um comentário