E lá vai, de novo, a menina que jurou a si mesmo negar todo
convite, desviar olhares, evitar conversar e, pelo menos, tentar pensar em tudo,
menos nele. E lá vai ela, aceita o convite na segunda tentativa com o melhor
sorriso que ela tem, procura o olhar dele nas lembranças mais singelas, manda mensagem
de boa noite mascarando um ‘ei, lembra-se de mim’ e passa o dia todo se
lembrando dele em cada situação, momento, cheiro, comida, lugar, brincadeiras,
piadinhas, música e planos. Por que ela e ele se completam e eles não sabem. Por
que é nele que ela pensa quando ouve aquela música romântica, é pra ele que ela
corre pra contar a piada mais ridícula e sem graça, por que sabe que ele achará
sensacional e absurdamente engraçada. Existe uma certa cumplicidade com só eles
sabem ter. Existem assuntos que ele só comenta com ela e ela, aliviada, só com
ele. Ela consegue ser ELA com ele. E
ele tem coragem de assumir ELE pra ela. Porque ela não é ninguém mais nem menos
do que ela mesma com ele e acha incrível essa liberdade. Ela conhece ele como
ninguém! Sabe dos seus pensamentos, dos seus gostos, de tudo. Até que ele sabe
que ela sabe disso, mas é cabeça dura demais pra assumir que gosta muito de
tudo isso, que queria pegar ela no colo e passar anos abraçado com ela sentindo
seu cheiro. Não, ele é machão demais pra isso.
ab.
ab.
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